Me parto

jogo palavras fora. fora de mim, fora de meu coração fora de minha alma, fora de meu corpo fora de tudo o que eu possa ser palavras fora… eu jogo e elas saem de mim perfurando o corpo, abrindo os poros, escrevendo dores palavras saem, palavras jorram, fora da minha alma e da agonia sentidaContinuar lendo “Me parto”

A nuvem de mim

Uma nuvem hoje passou sobre minha cabeça. Não uma nuvem branca, clara, daquelas que decoram o céu. Era uma nuvem quase escura… Cheia d’água roubada descaradamente de mares e rios. Engolia a chuva à seco com vontade de inundar tudo… e desabava seu peso sobre minha cabeça, minha cabeça já cansada de outras coisas… coisasContinuar lendo “A nuvem de mim”

Cansaço

De repente cansei. Foi um cansaço assim, repentino, súbito, certeiro. Me pegou de jeito e me jogou no chão. De repente eu estava ali, jogada, sem ação. Coração desacelerado, mãos ávidas, mente avessa. Mas o cansaço já havia se instalado e tomou conta. Era um cansaço assim: de gente, de coisas, de afazeres, de tudo…Continuar lendo “Cansaço”

Das sutilezas da espera

A espera se delineia lentacomo bebida amarga em frasco de vidro opaco.Em horas, minutos, ver se transformando o tempoà beira de tudo o que mais passa.Quando da longa e agressiva contagem,a espera tira da paciência toda a virtudefazendo com que seja somente a agoniado próximo instante.Algo além, a profecia que alimenta…Poder seguir ou continuar parado,sobContinuar lendo “Das sutilezas da espera”

EFEITO QUASE BORBOLETA

Intervalos. Intermitências. Entrega. Exigências. Sequência. Laços. Afeto. Distâncias. Frequências. Falta. Excesso. Agonia. Extremo. Ponta. Ruptura. Captura. Demência. Ausência. Ponte. Nome. Altos. Baixos. Saltos. Incautos. E qualquer coisa que me leve de volta no tempo não me deixaria imune à experiência. Pausa. Reflexão. Pena. A vida vale mesmo pelo o que é exatamente agora e comoContinuar lendo “EFEITO QUASE BORBOLETA”

VEIA ABERTA

Quem botou um pé na vida com gosto não vai assim querer botar logo os dois na morte. Pensei, pensei, e anotei. Pois vai que eu mesmo me esqueça ou seja o senhor, meu vizinho, que se esqueça primeiro, e tudo recomece, a ciranda das preces e a agonia pelas doenças mal acabadas e osContinuar lendo “VEIA ABERTA”

TONS DE VOZ

A mesma agonia que há nos gritos está calada, a espreita, deleitada no silêncio. E há palavras que por mais alto que sejam ditas jamais atingem os ouvidos aos quais se destinam. Portanto, certos silêncios são tão ensurdecedores que mesmo alguns passantes, pela vida ou pelas páginas, hão de sentir-se tocados, flagrados, doídos, atingidos, amados,Continuar lendo “TONS DE VOZ”