Linhagem

Ainda escrevo. Pouco, mas escrevo. Minhas linhas frias muitas vezes cortam. Minhas letras outras vezes quentes, mais do que esquentar, derretem. Sou destrutiva? Autodestrutiva? Minha linhagem tatuou em mim a vontade de escrever compulsivamente. Um desejo doido e doído de escrever tanto, tanto, mas tanto, que a mão doa, os dedos sofram, o coração seContinuar lendo “Linhagem”

Sapatos Velhos

 (Texto de 2011) O melhor motivo para jogar um sapato velho fora é a vontade de preparar o espaço para um novo par. As maiores desculpas para guardá-lo são o medo dos calos que sapatos novos costumam causar, a preguiça de sair para comprar outros e, a pior de todas, a acomodação. Sem falar doContinuar lendo “Sapatos Velhos”

A Prisão das Conversas Atuais

    É complicado opinar hoje em dia. Muito complicado. Um pouco mais para um lado ou para o outro e você é chamado de tanta coisa, rotulado de outras, classificado, enterrado. Ultrapassamos há muito o tempo em que podíamos dar uma opinião sobre um assunto e, em retorno, ter uma saudável discussão onde aprendíamosContinuar lendo “A Prisão das Conversas Atuais”

Moinhos não movem o homem

Tudo se move. Águas sobre as pedras. Movendo moinhos. Enquanto em seu silêncio interior o homem cala e consente… Mente. Ele também se move. Lentamente. Seus movimentos não movem o moinho, são estranhos. O homem se move e o caminho vai ficando mais curto… sua vida encurtando passo a passo. A verdade da vida doContinuar lendo “Moinhos não movem o homem”

As coisas simples

Amigos de verdade que te contam tudo e sabem te ouvir também. Comida gostosa, feita com carinho como tempero especial. O som que o mar faz, suas cores e seu cheiro bom. O vento que assobia, refresca, leva, carrega consigo pra longe o que incomoda. A chuva que lava, limpa, levanta o perfume da terraContinuar lendo “As coisas simples”

Fascínio pela noite

Sei do fascínio que exerce a noite sobre mim. A noite e sua quietude, seus tons escuros, seus brilhos casuais. Amo a lua que se mostra em faces: apenas por partes, meio distante… ou totalmente devassa, inteira, luminosa, quase me tocando com sua beleza tão próxima. Adoro as estrelas, longínquas, fulgurantes, visão de luz queContinuar lendo “Fascínio pela noite”

Falar dos ventos

Só eu posso falar mal do vento. Ninguém mais. Porque eu amo o vento, amo suas peripécias, sua arte, suas doideiras, seus carinhos. Amo quando vem manso e amo ouvir seus cantos bárbaros. Mesmo se me assusto quando ele se transforma em ventania desenfreada, mesmo se temo sua força. Só eu posso falar mal doContinuar lendo “Falar dos ventos”

Tristeza

Faleceu minha tristeza. Eram duas horas da manhã, eu recém acordava de um sonho que me trouxe felicidade. E foi assim que ela se foi, a tristeza que comigo dormiu… diminuiu-se diante do bem-estar que me contagiou. Afugentou-se de ver comigo um sorriso que não lhe cabia. Mas o problema com a tristeza é queContinuar lendo “Tristeza”

Fascínio

O fascínio dos sonhos nunca é o mesmo ao amanhecer. Quando os olhos se abrem e as imagens fogem para algum lugar lá dentro de nós, ficamos entre o desejo de fechá-los novamente, correr atrás do que estávamos vivendo nos sonhos e o impulso natural de erguer o corpo, já esquecendo, tudo ficando para trásContinuar lendo “Fascínio”