incertezas

O clima incerto, chuva, vento, sol, a umidade e a seca. 
O frio que ameaça e o calor que se esgaça.
O tempo incerto, se esquiva o momento, vira pó, desaparece,
tem horas certas e sem elas se reinventa, se nega, se entrega, 
arrefece e amortece o tombo e amansa a carcaça.
Desgraça!
A graça se perdeu desde então.
Mas incerta mesmo 
é a vida. 
Carece de tanto!
E pouco aparece, ou quanto, enquanto (quando aparece)  
se deixa ir, levar, seguir pelos ponteiros do relógio
que somam os segundos criando submundos. 
Futuros imundos que são mito.
Irrita...  ação!
Imita... ação!
tempo, tempo, tempo, clima, clima, clima, tempo,  
(climatério) cemitério de desejos não consagrados
esmiuçados, esmigalhados, espalhados. 
e se não for o relógio seriam então
estações passageiras, ligeiras, que se confundiriam
e confundem quem por elas se espera.
O que nada volta, as voltas que dá, a vida, ela dá voltas
revolta, mas volta.
Cicatrizes na cara, tapas na cara, rugas na cara.

Cortes na cara, socos na cara, manchas na cara.
Violências da vida. Carinhos da vida. Experiências de vida.
Ela não poupa a cara de ninguém.
Ela vai e nunca mais vem.
O clima é incerto
o tempo é incerto

minhas palavras também o são
- eu minto? - se minto, minto o que penso?
minto  que sinto?
espertezas tolas espertezas
de querer certeza
onde só reinam
incertezas.

Photo by Amy Treasure on Unsplash

Publicado por Poeternizar

Eternizando versos, versejando vida, poetando sonhos, poeternizando a emoção de cada dia.

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