Linhagem

Ainda escrevo. Pouco, mas escrevo. Minhas linhas frias muitas vezes cortam. Minhas letras outras vezes quentes, mais do que esquentar, derretem. Sou destrutiva? Autodestrutiva? Minha linhagem tatuou em mim a vontade de escrever compulsivamente. Um desejo doido e doído de escrever tanto, tanto, mas tanto, que a mão doa, os dedos sofram, o coração se desespere, a alma até se despeça. Me tornar pedaços, despedaçados os pensamentos, jogados ao léu, levados pelo vento, engolidos pelo vão do espaço. A mesma linhagem que me condenou a mente ao sofrimento de viver permanentemente entre o céu e o inferno, me legou a chave dando acesso às profundezas do âmago alheio, o que me encara ou tenta, por subterfúgios, se esquivar de mim. Transparência. É o o que vejo. Diáfanos medos, desmedidas paixões. Tudo transparente, o suficiente para turvar a visão, acelerar loucamente as ondas entre os neurônios. Demônios. Alheios e aqui de dentro de mim. Do reinado da paz há muito fui destituída. O poder me foi outorgado pela dor e com sua força, ou a total falta dela, fecho e abro os olhos, vivo e morro, sangro toda minha essência e com este sangue escrevo. Poeto. Para poeternizar o que jamais quereria explicar.

Photo by Chelsea Pridham on Unsplash

Publicado por Poeternizar

Eternizando versos, versejando vida, poetando sonhos, poeternizando a emoção de cada dia.

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