As esperas de Rosa

Nos últimos tempos Rosa abriu mão de tudo. Não saía mais, não se arrumava mais. Fica em casa esperando. Esperava o carteiro, esperava o telefone tocar, esperava chegar quem lhe desse mais do que um pouco de voz. Prendia os cabelos para não tê-los agarrados ao ombro, já tão pesado dos fardos que a vida insistia em lhe dar. Insistia? A vida? Não seria talvez ela mesma que trazia tanto para dentro de si, até não mais aguentar? Rosa olhava pela janela e via as pessoas que passavam apressadas. Ela já tinha tido pressa também. Mas não agora. Agora apenas esperava. E de vez em quando, quando o sono vinha, ela então partia. Sem nunca saber para onde, sem nunca saber quando voltaria. Mas esperava voltar. Como tudo. Ela esperava.

Publicado por Poeternizar

Eternizando versos, versejando vida, poetando sonhos, poeternizando a emoção de cada dia.

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