A Mulher na Casa de Espelhos

Tinha tantas facetas que outro dia perdeu-se dentro delas. Tentando encontrar-se buscava cada uma das imagens para tentar se reconhecer mas, tal qual numa casa de espelhos, não encontrava mais a sua verdadeira eu e dali não conseguia sair.

…Sentou-se.

Lentamente iniciou uma busca interior. Seus antigos sonhos deveriam ainda figurar no brilho dos seus olhos… Suas mãos nunca estiveram vazias, havia sempre algo que trazia consigo e a imagem não conseguiria desmentir: o coração tinha que estar em suas mãos!

Levantou-se e, sem mais pressa, começou a tocar cada parte refletida com o carinho dos perdidos. Foi assim, olhando e tocando, até que encontrou um reflexo dela mesma diferente e indiferente:

Ela estava de costas. Chamou por ela mesma. A resposta foi um breve aceno de mão:

Espere!

Esperou. Quando finalmente a imagem refletida virou-se para ela percebeu que secava uma lágrima. Tinha ido longe, tão longe, lá dentro daquele mundo à procura dela também! Mas voltava agora, trazendo o coração batendo e o brilho incomum nos olhos.

Estendeu suas mãos, tirou-a de lá e, juntas, saíram da casa em só corpo e alma.
 

Publicado por Poeternizar

Eternizando versos, versejando vida, poetando sonhos, poeternizando a emoção de cada dia.

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