SOB O TETO DE VIDRO

Olhava para cima e via todo mundo. Via a si mesmo. O teto de vidro refletia os que passavam e os que, parados, apenas aguardavam sem noção do tempo. Ficou ali, divagando sobre os reflexos enquanto os minutos passavam lentos. De repente ouviu gritos, barulho de quedas, o susto! O fogo começara sem que percebesse e já começava a lamber perto de onde estava. Aterrorizado e sem saber o que pensar, ele olhava para o chão e para o teto, vendo o reflexo das chamas que se espalhavam. Mais tarde, deitado num leito de hospital ele pensava apenas no teto de vidro, nos reflexos insistentes e numa história antiga que falava sobre ter telhado de vidro e pedras que eram jogadas. Pensava no porque de ela ter partido, no que ela dissera que o magoara tanto e no seu desejo louco de deixar o mundo que não a tinha mais. Depois voltava aos reflexos no vidro, o vazio do  andar térreo que o esperara e não o recebera. O jornal relatando a morte de dezenas de pessoas jazia ao seu lado, papel sem cheiro e sem importância. E ele continuava ali, seu telhado de vidro quebrado, a pensar nos reflexos do teto cheio de chamas.

Publicado por Poeternizar

Eternizando versos, versejando vida, poetando sonhos, poeternizando a emoção de cada dia.

2 comentários em “SOB O TETO DE VIDRO

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