Enquanto Iara passava

Iara sabia que era bonita e o maior termômetro disto era quando passava diante de alguma construção: choviam nomes e assobios, risadas prazerosas de ouvir. Ela passava, sem olhar, a pose toda feita, fazendo de conta nem notar. Era sempre assim, uma festa. Ela passando e os moços brincando; ela sendo admirada pela tropa inteira da obra. Mas deixa que a vida passa e nem o espelho e nem os amigos contaram para Iara que o tempo passou. O espelho dizia apenas que estava diferente e os amigos tinham sempre a tal conversa do não mudou nada você né minha filha. Só a construção não mentia. O dia em que passou diante de uma e sentiu o silêncio, Iara percebeu: já chegara lá onde não imaginara chegar, naquela idade em que os moços não se atrevem mais. Guardou a pose, levantou o seu queixo sessentão e deixou-se andar normalmente. Sentiu o alívio mesclado à saudade e lá se foi, atrás do que já estava construído.

Publicado por Poeternizar

Eternizando versos, versejando vida, poetando sonhos, poeternizando a emoção de cada dia.

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