Balas perdidas

Entrou em casa com a cabeça tocando o chão e as mãos nos bolsos. Enquanto cruzava a sala ia se esquivando das balas perdidas: – Pai, trouxe meu caderno? – Pai, posso ir amanhã no aniversário da Elzinha? – Pai, saiu mais cedo hoje? – E então, homem, conseguiu alguma coisa naquele emprego? Passou raspando por todas, estava já quase chegando do outro lado da sala, quase alcançando a porta do quarto, quando a última bala o pegou sem prevenir: – Pai, a mãe disse que hoje não tem janta que é pro almoço amanhã ser mais gostoso!

(Imagem: Vathath)

Publicado por Poeternizar

Eternizando versos, versejando vida, poetando sonhos, poeternizando a emoção de cada dia.

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