Dores que são

Cortes profundos doem menos. O sangue corre, escorre pela pele e cai. O superficial arranha, machuca, arde. Não é uma dor contundente. É uma dor que incomoda, fica ali, visível, se esfregando em todos os atos.
Dores profundas não gritam, os ferimentos apenas ficam ali, latejando, latejando, pulsando junto com o coração. Dores superficiais são fulgurantes, apelam além da lesão, infernizam e tiranizam.
O profundo é vedado, costurado, coberto. Os olhos cegados deixam o coração livre de sentir. O superficial permanece, presença constante, os olhos insistentes vendo e o coração por isto apenas sente.
A dor profunda por ser o que é, cala. Enquanto a outra, rente à pele, grita!
Dores e dores. Pancadas, cortes, amores. São o que são. E de nós são fiéis até a morte.

Publicado por Poeternizar

Eternizando versos, versejando vida, poetando sonhos, poeternizando a emoção de cada dia.

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